domingo, 20 de janeiro de 2013
Encantamento
Às vezes, vezenquando, quando vez, quando vens. De encontrão encontramo-nos e no encontramento encantamento fez-se. E eis que tudo virou luz. Sons, luzes e palmas. Seja o que for: encantamento. Outrora passou, quiçá passe. Associação livre de ideias é o mesmo que libertamento desprendido de sensações? Fora o que senti. Que criem-se palavras que sejam capazes de exprimir e dar sentido ao momento. Viver sem estar sujeito ao encantamento é duvidosamente mau. Bem, que Deus conceda-lhes a oportunidade de sentir um dia. Desejo-lhes tudo de encantamento despropositado prosa poesia literatura marginal leitura de boteco e Machado de Assis. Principalmente Machado de Assis! E se achares pouco, um pouco de criatividade e mel: Melamed. Usem outras línguas, investigue em dicionários, não se esqueçam dos aforismos. Chamem os nossos amigos Ets. Jogue com as palavras, que todos os trocadilhos e figuras de linguagem floresçam em ti, em nós. Sem medo, ter medo é desperdício tal como quando você deixa de espreguiçar-se em sua cama por mais 5 minutos antes de ir ao trabalho. Desperte, desperte em ti o desejo da simplicidade, de ver beleza nas coisas simples contanto que não vós passe despercebido o que te faz feliz, e que seja simples! Que seja simples, pois há de nascer algo mais bonito que flor. Desejo-lhe tempo. Pois que falta e que falta faz o tempo! Há de vir o tempo em que daremos mais importância à literatura que à ciência. Assim espero, despertar no entanto, relaxada, sem pressa de querer que as coisas saiam do meu jeito e não do jeito a que conspira o Deus Universo. Sorte, sonho, doçura. Desejo a nós, a todas as criaturas pensantes e inanimadas. Sonho, sonhe, sonho. Que não vivamos só deles, mas do que eles nos proporcionarem. Desejo muito encantamento ao mundo, vide que precisa.
quinta-feira, 17 de janeiro de 2013
Nunca em negrito é um esporro
Que todos as caps locks sejam pressionadas ao mesmo tempo. Hoje eu não quero uma atenção flutuante. Estudar psicanálise tem mexido muito comigo. Tudo tem mexido, como já indicava meu mapa astral. O inferno está posto, é não é o de 3 dias denominado TPM. Júpiter encontra Saturno e chama Peixes pra brincar comigo e desestruturar minha vida: Estou apaixonada. Uma daquelas, fortes que vem tipo pororoca de abril, devastando tudo. Que te tira todas as certezas que na verdade nunca foram certezas porra nenhuma. Daqui a pouco faço 20, e parece que eu não consigo sair dos 13 nunca. Já pensou o quanto um negrito num texto uniforme pode fazer diferença? Já pensou o quanto alguém pode te deixar nas nuvens e depois ir embora te deixando mal e com uma dor no peito, um nó absurdo na garganta, uma dificuldade imensa de respirar? O oxigênio não chega ao cérebro e você não pensa. Só treme e fica sem reação ao ver a pessoa que você queria ter. Ter de uma forma egoísta e que te dê mesmo a sensação de pertença. Qual é o problema de querer pertencer a alguém, afinal? Que sejam minimizadas todas as teorias, todas as receitas de bolo. Hoje eu quero me declarar neurótica-obsessiva- histérica- apaixonada. Eu quero me libertar de todos os meus traumas. Realmente não sei se é melhor viver no mundo da fantasia, em que não há espaço pra frustrações, pra choro ou insônia. Fantasiar deve mesmo ser melhor que viver. Dizer Nunca é o mesmo que clamar aos céus e a Terra: quero que aconteça. Dizer nunca, assim em negrito, é um esporro. Viver é um esporro.
domingo, 12 de junho de 2011
Sol- inteira
Quando é que as pessoas decidem que vão namorar? É, que querem ficar juntas, construir coisas, ir à lugares, ter intimidades? Será que é justamente quando você se dá conta que passa muito tempo sozinho e que precisa de alguém para dividir com você a "solidão?" Quando é que as pessoas começam a se amar? Será que é quando você passa horas pensando naqueles sorrisos, naqueles carinhos e naqueles abraços e queria que todos esses momentos durassem para sempre? Quando é que o amor acaba? Quando não há mais tesão, não há mais carinho, não há saudade? Já parou para pensar que hoje é tão difícil pensar nessas coisas? Eu pelo menos acho dificílimo!
Você pode estimular seu cérebro lendo sei lá, Freud ou Levistrauss. Eu particularmente não acho que uma pessoa é pouco inteligente quando não entende essa "lógica" e as peripécias do amor. Tantos autores dedicaram tantos anos e livros, tantos partos, esforços de subjetividade e sensibilidade para descrever, ilustrar o que é e como pode ser isso tudo. Foram formidáveis, geniais é verdade. Pessoa é pessoa ! Mas eu pergunto-lhe, pra quê? Se você não sente ou nunca sentiu uma coisa pulando do seu peito ao ver uma pessoa ou não sabe como é deixar de comandar o seu corpo quando beijou outra, sinto muito em iformar-lhe meu caro, não adiantou nada, você não sabe nada de amor! Eu humildemente não sei... E por que, quando ser solteiro passou a ser algo tão doloroso assim? É errado? É ser infeliz? Um dos meu autores preferidos diria : "Os solteiros é plural então até que nem tão solteiros assim." Ele dedica um texto inteiro só para problematizar a solteirice e o casamento. Eu adoro esse texto, leio, releio, treleio. Por quê? Ora, porque eu sou solteira! E porque apesar de toda a dialética do Melamed( o autor) tudo o que eu penso enquanto leio suas palavras tão bem colocadas é : “Eu queria ter um namorado assim’ e sabe o que ele me diz? “solteiro quer dizer o sol inteiro. E ainda: só, mas inteiro.”.
Sabe Michel, eu concordo, eu acredito. Hoje não foi um dia ruim. Amanhã continuarei a ser sol, ser inteira. Porque somos e seremos até o que o amor nos encontre sol- inteiros.
Você pode estimular seu cérebro lendo sei lá, Freud ou Levistrauss. Eu particularmente não acho que uma pessoa é pouco inteligente quando não entende essa "lógica" e as peripécias do amor. Tantos autores dedicaram tantos anos e livros, tantos partos, esforços de subjetividade e sensibilidade para descrever, ilustrar o que é e como pode ser isso tudo. Foram formidáveis, geniais é verdade. Pessoa é pessoa ! Mas eu pergunto-lhe, pra quê? Se você não sente ou nunca sentiu uma coisa pulando do seu peito ao ver uma pessoa ou não sabe como é deixar de comandar o seu corpo quando beijou outra, sinto muito em iformar-lhe meu caro, não adiantou nada, você não sabe nada de amor! Eu humildemente não sei... E por que, quando ser solteiro passou a ser algo tão doloroso assim? É errado? É ser infeliz? Um dos meu autores preferidos diria : "Os solteiros é plural então até que nem tão solteiros assim." Ele dedica um texto inteiro só para problematizar a solteirice e o casamento. Eu adoro esse texto, leio, releio, treleio. Por quê? Ora, porque eu sou solteira! E porque apesar de toda a dialética do Melamed( o autor) tudo o que eu penso enquanto leio suas palavras tão bem colocadas é : “Eu queria ter um namorado assim’ e sabe o que ele me diz? “solteiro quer dizer o sol inteiro. E ainda: só, mas inteiro.”.
Sabe Michel, eu concordo, eu acredito. Hoje não foi um dia ruim. Amanhã continuarei a ser sol, ser inteira. Porque somos e seremos até o que o amor nos encontre sol- inteiros.
terça-feira, 21 de dezembro de 2010
ANA I (Aquele olhar)
Chegou.
Vestia-se de modo simplório. Sua habitual calça jeans, blusa de manga azul e all star. Era seu uniforme diário.
Pensou nas coisas que deveria fazer, pensou até em se alegrar com algumas lembranças, uns sorrisos dispersos, abertos. Mas lembrou-se da louça, ora a louça!
Sua realidade dura demais não a dava muito tempo para relembrar.
Trocou de roupa. Com seu short curto, ligou o rádio no último volume na tentativa de afastar maus pensamentos – música renova as energias – dizia sempre, ora para os outros, ora para si mesma.
Louça lavada, hora de lipar o banheiro ouvindo Pagu, era um ritual.
Comida no fogo, era ágil. Parecia que em seguida tiraria o pai da forca, ou que tinha 3 crianças para cuidar. Mas não tinha, não tinha ninguém para cuidar, só si mesma, e ninguém que a cuidasse.
Não era sozinha, mas era o que parecia a maior parte do tempo. Após teminar seus primeiros afazeres, pensou em seguir com os próximos. Precisava estudar. Então reiniciou seu ritual diário. Forrou o chão, e o encheu de travesseiros, esparramou os livros. Pensou no que deveria estudar. Biologia. Embora o que precisasse no momento era de uma boa literatura. Clarice, Drummond? Qualquer coisa a céculas, teorias e relações. Sua vida andava com relações desarmônicas por demasiado, canibalismo diário de si mesma.
Deitou -se em meio aos livros com desânimo. Pensou que as coisas poderiam ser um pouco diferentes ou pelo menos mais parecidas com antes, fechou os olhos e começou a relembrar...
Era frio, verde. Ela estava linda, com poucas vezes. Vestia uma blusa preta, meia calça e um sobretudo que acentuava sua silhueta longa e esquia mas que a deixava com um ar europeu que todos a elogiam, mal percebia seu sorriso de canto de boca ao ouvir que parecia uma francesa. Foi um tarde linda, e ela sabia disso.
Sorria de novo, agora um pouco mais triste, mas afinal, nem fazia tanto tempo assim. Pensou no quanto uma pessoa muda, mesmo em pouco tempo cronológico, é uma espécie de tempo de aura, de renovação de energia, mas não queria pensar muito em tempo, não no tempo que tinha passado, contentou-se em relembrar.
Teleportou-se exatamente para o momento em que alguém arrumava seu cachecol de um jeito diferente e dizia o quanto a cor de seu cabelo acentava com o mel de seus olhos. Lojas, sorrisos, gestos, conversas, naquele momento ela tinha esquecido-se de tudo, tudo, tudo. E tudo era muito. Foi quando chegou finalmente, ao momento em que mais que sua mente seu coração queriam reviver e (re)sentir, (tre) sentir. O olhar.
Não fora sempre observadora de olhares, por diversas vezes os ignorava, mas com o tempo como tudo que muda, seus sentimentos em relação à olhares também mudou.
Um olhar tocava-a tão profundo como uma música, um beijo, uma sensação, transpassava um toque físico, um sorriso, porque os lábios mentem, tem gente que sorri bonito mesmo triste, mas os olhos não, esses não sabem mentir pois são o reflexo da alma, e a alma para ela era tudo, e se tudo era muito, a alma era muito mais.
Olhou mesmo de olhos fechados aqueles olhos de novo, e não hesitou em sorrir novamente.
Eram olhos ávidos, olhando a multidão, até encontrar os seus, e então perder-se um dentro do outro, por instantes, por milésimos de segundo, por... E sentiu de novo seu corpo estremecer, um frio diferente, frio bom.
Se existe destino a culpa foi exatamente dele, porque só a ele caberia se encarregar de criar a cena de reencontro ente uma amiga e ela ao lado do seu-garoto-de-olhos-tocantes.
Cumprida as formalidades, foi a ele que seus olhos teimaram em procurar, localizar, e foi meio descrente que ela olhou para o lado, e lá estava ele, olhando-a de frente, profundo.
Foi dele um dos poucos olhares que a acanharam, ora não fazia muito seu estilo acanhar-se, mas ele era diferente, olhava bonito. E foi após um vulto de um pessoa passando em sua frente, entre vozes conhecidas que ela percebeu, não eram só os olhos, ele era lindo. Lindo com poucos, portador de uma beleza que hipnotiza, daquelas em que se olha primeiro os olhos e perde-se sei lá quanto tempo admirando-os, sem perceber, sem se preocupar com o que há em volta, cor, roupa, cabelo, ou qualquer outra coisa, é só O olhar, e se for recíproco, não necessita-se de mais nada, de contar, de lembrar, só de sentir. É coisa de alma.
- Sabe com é isso?
- Acho que agora sei.
- Ah então Ana, foi meio que isso, eram umas luzes azuis fluorescentes.
Foi então que Ana percebeu que estavam falando de luzes mas não das mesmas luzes. A Luz que refletia no rosto de Ana era diferente de qualquer luz fluorescente existente. Seus olhos já não a obedeciam mais, só queria saber de procurar os outros olhos e descobrir o que eles tinham, qual era o segredo, a história, os medos, as verdades que se escondiam atrás das córneas e da hereditariedade.
E foi pensando no segredo que sorriu, e que viu sorrir para ela outra boca. Esquivou-se. Estaria dando bandeira? Mas e daí . Seus olhos precisavam daquele momento pra lembrar-se quando os problemas diários a atormentassem. Só queria olhá-los até quando pudesse, até que se perdessem.
- O que você tanto olha?
- Olhos.
-Como?
E foi entre não explicações, que ele a olhou pela penúltima vez e sorriu de canto de boca, ela atônita só sabia olhar, nem sorrir, por que se sorrisse talvez mentisse um pouco, não conseguia nem ser mais cordial, só olhar, olhar e sentir, e foi assim que ele ia afastando-se e ela sentindo a falta, a distância, a perda. Antes de dobrar a esquina ele a olhou pela última vez.
- Você está estranha hoje.
- Acho que preciso de roupas novas.
Ao abrir os olhos sorriu mais uma vez, olhou para os livros e para sua roupa que em nada lembrava a tarde mágica que vivera. Acordada, lúcida de suas lembranças, sabia que tinha que fazer algo em relação à sua vida depois de pensar em tudo que um dia a fez tão feliz como simples fleches que a davam o luxo de fugir de seu cárcere- cotidiano .
Foi limpar o banheiro.
Vestia-se de modo simplório. Sua habitual calça jeans, blusa de manga azul e all star. Era seu uniforme diário.
Pensou nas coisas que deveria fazer, pensou até em se alegrar com algumas lembranças, uns sorrisos dispersos, abertos. Mas lembrou-se da louça, ora a louça!
Sua realidade dura demais não a dava muito tempo para relembrar.
Trocou de roupa. Com seu short curto, ligou o rádio no último volume na tentativa de afastar maus pensamentos – música renova as energias – dizia sempre, ora para os outros, ora para si mesma.
Louça lavada, hora de lipar o banheiro ouvindo Pagu, era um ritual.
Comida no fogo, era ágil. Parecia que em seguida tiraria o pai da forca, ou que tinha 3 crianças para cuidar. Mas não tinha, não tinha ninguém para cuidar, só si mesma, e ninguém que a cuidasse.
Não era sozinha, mas era o que parecia a maior parte do tempo. Após teminar seus primeiros afazeres, pensou em seguir com os próximos. Precisava estudar. Então reiniciou seu ritual diário. Forrou o chão, e o encheu de travesseiros, esparramou os livros. Pensou no que deveria estudar. Biologia. Embora o que precisasse no momento era de uma boa literatura. Clarice, Drummond? Qualquer coisa a céculas, teorias e relações. Sua vida andava com relações desarmônicas por demasiado, canibalismo diário de si mesma.
Deitou -se em meio aos livros com desânimo. Pensou que as coisas poderiam ser um pouco diferentes ou pelo menos mais parecidas com antes, fechou os olhos e começou a relembrar...
Era frio, verde. Ela estava linda, com poucas vezes. Vestia uma blusa preta, meia calça e um sobretudo que acentuava sua silhueta longa e esquia mas que a deixava com um ar europeu que todos a elogiam, mal percebia seu sorriso de canto de boca ao ouvir que parecia uma francesa. Foi um tarde linda, e ela sabia disso.
Sorria de novo, agora um pouco mais triste, mas afinal, nem fazia tanto tempo assim. Pensou no quanto uma pessoa muda, mesmo em pouco tempo cronológico, é uma espécie de tempo de aura, de renovação de energia, mas não queria pensar muito em tempo, não no tempo que tinha passado, contentou-se em relembrar.
Teleportou-se exatamente para o momento em que alguém arrumava seu cachecol de um jeito diferente e dizia o quanto a cor de seu cabelo acentava com o mel de seus olhos. Lojas, sorrisos, gestos, conversas, naquele momento ela tinha esquecido-se de tudo, tudo, tudo. E tudo era muito. Foi quando chegou finalmente, ao momento em que mais que sua mente seu coração queriam reviver e (re)sentir, (tre) sentir. O olhar.
Não fora sempre observadora de olhares, por diversas vezes os ignorava, mas com o tempo como tudo que muda, seus sentimentos em relação à olhares também mudou.
Um olhar tocava-a tão profundo como uma música, um beijo, uma sensação, transpassava um toque físico, um sorriso, porque os lábios mentem, tem gente que sorri bonito mesmo triste, mas os olhos não, esses não sabem mentir pois são o reflexo da alma, e a alma para ela era tudo, e se tudo era muito, a alma era muito mais.
Olhou mesmo de olhos fechados aqueles olhos de novo, e não hesitou em sorrir novamente.
Eram olhos ávidos, olhando a multidão, até encontrar os seus, e então perder-se um dentro do outro, por instantes, por milésimos de segundo, por... E sentiu de novo seu corpo estremecer, um frio diferente, frio bom.
Se existe destino a culpa foi exatamente dele, porque só a ele caberia se encarregar de criar a cena de reencontro ente uma amiga e ela ao lado do seu-garoto-de-olhos-tocantes.
Cumprida as formalidades, foi a ele que seus olhos teimaram em procurar, localizar, e foi meio descrente que ela olhou para o lado, e lá estava ele, olhando-a de frente, profundo.
Foi dele um dos poucos olhares que a acanharam, ora não fazia muito seu estilo acanhar-se, mas ele era diferente, olhava bonito. E foi após um vulto de um pessoa passando em sua frente, entre vozes conhecidas que ela percebeu, não eram só os olhos, ele era lindo. Lindo com poucos, portador de uma beleza que hipnotiza, daquelas em que se olha primeiro os olhos e perde-se sei lá quanto tempo admirando-os, sem perceber, sem se preocupar com o que há em volta, cor, roupa, cabelo, ou qualquer outra coisa, é só O olhar, e se for recíproco, não necessita-se de mais nada, de contar, de lembrar, só de sentir. É coisa de alma.
- Sabe com é isso?
- Acho que agora sei.
- Ah então Ana, foi meio que isso, eram umas luzes azuis fluorescentes.
Foi então que Ana percebeu que estavam falando de luzes mas não das mesmas luzes. A Luz que refletia no rosto de Ana era diferente de qualquer luz fluorescente existente. Seus olhos já não a obedeciam mais, só queria saber de procurar os outros olhos e descobrir o que eles tinham, qual era o segredo, a história, os medos, as verdades que se escondiam atrás das córneas e da hereditariedade.
E foi pensando no segredo que sorriu, e que viu sorrir para ela outra boca. Esquivou-se. Estaria dando bandeira? Mas e daí . Seus olhos precisavam daquele momento pra lembrar-se quando os problemas diários a atormentassem. Só queria olhá-los até quando pudesse, até que se perdessem.
- O que você tanto olha?
- Olhos.
-Como?
E foi entre não explicações, que ele a olhou pela penúltima vez e sorriu de canto de boca, ela atônita só sabia olhar, nem sorrir, por que se sorrisse talvez mentisse um pouco, não conseguia nem ser mais cordial, só olhar, olhar e sentir, e foi assim que ele ia afastando-se e ela sentindo a falta, a distância, a perda. Antes de dobrar a esquina ele a olhou pela última vez.
- Você está estranha hoje.
- Acho que preciso de roupas novas.
Ao abrir os olhos sorriu mais uma vez, olhou para os livros e para sua roupa que em nada lembrava a tarde mágica que vivera. Acordada, lúcida de suas lembranças, sabia que tinha que fazer algo em relação à sua vida depois de pensar em tudo que um dia a fez tão feliz como simples fleches que a davam o luxo de fugir de seu cárcere- cotidiano .
Foi limpar o banheiro.
sexta-feira, 5 de novembro de 2010
Julieta
Vai Julieta, sai desse bode.
Vai passear, namorar, sair, dançar se divertir. Entra um pouco na internet, vai ao cinema, toma um banho de mar. Faz alguma coisa Julieta! Garota bonita, fica aí olhando para o nada, conversando com plantas. Vive Julieta, vive de verdade!
Certo dia Julieta disse :
"Mulher estilosa é aquela que põe seu melhor vestido, melhor perfume, seu melhor batom e no jantar à luz de velas, pede o cara em casamento e racha a conta".
Julieta não queria ser mulher, queria ser mulher estilosa. Mas cadê coragem, cadê? Julieta só sabia era falar com seres inanimados, se atrapalhava um pouco com gente.
"Gente é estranha!" - dizia Julieta, como se fosse adiantar alguma coisa.
Vai Julieta, levanta dessa cama, troca esse pijama.
Julieta não é princesa, nunca foi. E nem quer ser. Quer? Julieta não sabe, sabe não. Julieta queria um Romeu. Mas não romeu careta, um Romeu despojado.
Saí Julieta, vai ver a luz do sol, passa um batom nesses lábios grossos, solta esses cachos, se abre para o mundo menina!
E Julieta foi.
Vai passear, namorar, sair, dançar se divertir. Entra um pouco na internet, vai ao cinema, toma um banho de mar. Faz alguma coisa Julieta! Garota bonita, fica aí olhando para o nada, conversando com plantas. Vive Julieta, vive de verdade!
Certo dia Julieta disse :
"Mulher estilosa é aquela que põe seu melhor vestido, melhor perfume, seu melhor batom e no jantar à luz de velas, pede o cara em casamento e racha a conta".
Julieta não queria ser mulher, queria ser mulher estilosa. Mas cadê coragem, cadê? Julieta só sabia era falar com seres inanimados, se atrapalhava um pouco com gente.
"Gente é estranha!" - dizia Julieta, como se fosse adiantar alguma coisa.
Vai Julieta, levanta dessa cama, troca esse pijama.
Julieta não é princesa, nunca foi. E nem quer ser. Quer? Julieta não sabe, sabe não. Julieta queria um Romeu. Mas não romeu careta, um Romeu despojado.
Saí Julieta, vai ver a luz do sol, passa um batom nesses lábios grossos, solta esses cachos, se abre para o mundo menina!
E Julieta foi.
segunda-feira, 11 de outubro de 2010
O encontro perfeito
Choveria.
Eu estaria ensopada esperando o ônibus para um lugar qualquer.
Ele estaria no ônibus, desconexo do mundo, olhando a paisagem.
Eu entraria um tanto quanto decepcionada com o dia, molhada, despenteada, simples.
Sentaria ao seu lado.
Ele olharia-me rapidamente.
Eu, preocuparia-me em não molhar-lhe.
Ele não se incomodaria com as gotas geladas do meu corpo e meus cachos tocando-o, continuaria sua leitura silenciosa.
Eu leria Clarice, ele, Shaskepeare.
-Gosto muito deste livro dela.
- Eu adoro Shaskepeare.
- É tão...
-É.
Conversaríamos sobre a chuva, sobre dia, o percurso, os problemas do mundo.
E demoraria para o nosso ponto chegar.
Nada de contos de fadas, telefones ou contatos símbolos da modernidade.
-Aceita casar-te comigo? ele.
- Como? eu.
Disse Romeu à Julieta. Diria ele, voltando à leitura.
- Ah! Diria eu sem malícia, pensando no quanto era bom estar molhada num banco de ônibus.
Eu estaria ensopada esperando o ônibus para um lugar qualquer.
Ele estaria no ônibus, desconexo do mundo, olhando a paisagem.
Eu entraria um tanto quanto decepcionada com o dia, molhada, despenteada, simples.
Sentaria ao seu lado.
Ele olharia-me rapidamente.
Eu, preocuparia-me em não molhar-lhe.
Ele não se incomodaria com as gotas geladas do meu corpo e meus cachos tocando-o, continuaria sua leitura silenciosa.
Eu leria Clarice, ele, Shaskepeare.
-Gosto muito deste livro dela.
- Eu adoro Shaskepeare.
- É tão...
-É.
Conversaríamos sobre a chuva, sobre dia, o percurso, os problemas do mundo.
E demoraria para o nosso ponto chegar.
Nada de contos de fadas, telefones ou contatos símbolos da modernidade.
-Aceita casar-te comigo? ele.
- Como? eu.
Disse Romeu à Julieta. Diria ele, voltando à leitura.
- Ah! Diria eu sem malícia, pensando no quanto era bom estar molhada num banco de ônibus.
terça-feira, 21 de setembro de 2010
Paredes, caminhos , desencontros
Essas paredes descascadas, frias, só aumentam essa sensação de solidão absoluta, é o vazio de lembrar daquela tarde que não pode mais voltar. E se eu olho por alguns minutos para o lado, fixo para essas paredes verdes, elas tomam dimensões enormes e levantam-se contra mim querendo devorar-me. Através delas eu vejo teus olhos negros, ávidos, ao me olhar, ora secando meus lábios, ora querendo decifrar-me através das expressões dos meus- somos olhos, fomos olhos apaixonados um dia. Quando me lembro de você, sorrio, mesmo que o meu dia não tenha sido tão bom ou feliz, mas sorrio ao ver o quanto tínhamos em comum, é cômico agora. O sorriso não dura muito, logo, penso que todo esse meu sorriso não deixa de ser forçado, é cinismo. Então me entristeço, no desconserto dos meus pensamentos. Quero pensar em comida, viagens, garotos, mas só o que consigo pensar é no rio, no verde- estou meio obcecada por verde, antes mesmo de te conhecer, o verde já me fascinava, sinto que ele quer me dizer alguma coisa, tenho o meu preferido, escuro, por ser tão exigente, nenhum outro tom de me agrada , nem um outro tipo me atrai tanto quanto você. Mas a culpa não é bem nossa, são questões demográficas, etárias, ou Ele - o verde. O problema não é conosco, somos pessoas certas o momento é que é errado, e eu só posso sentir muito, você também. Eu gostava de te ouvir falar, fala mansa, vocabulário enrustido, gostava da sua idade, sobretudo da sua idade e do jeito que você me olhava, fitava-me como se eu fosse uma criança, como se quisesse me proteger. Desculpa por eu não ser tal infantil assim, tão angelical. Nós nos fantasiamos muito. Sempre fomos opostos, suas mãos quentes e as minhas frias, seu sorvete de flocos,o meu com cobertura de chocolate, nos completávamos no pequenos detalhes, nossos gostos musicais, por filmese comidas variavam, nossos desejos e planos de vida também, eu era livre. Você sempre preso demais. Seu beijo era respeitoso, com carinho, talvez esse fosse um dos problemas ou pelo menos passou a ser depois de eu não mais fantasiar, aí a coisa muda: eu, pé no chão demais e você querendo sonhar. Paramos de caminhar juntos, agora, eu gostava de vê-lo pelos caminhos da vida. Eu, mesmo sabendo o que queria sempre fui mais insegura, você não, parece que a vida sem roteiro te fazia bem. Parei de fazer planos com você e você comigo, naturalmente, assim como quando você descobriu que eu só tomava leite para te agradar e que às vezes eu o beijava pensando na roupa que eu iria usar no dia seguinte, eu parei de me perder, e nessas perdas e devaneios, comecei a me achar, e te perder. Nos desencontramos.
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